O carnaval do Rio de Janeiro entrou em clima de tensão institucional nos últimos dias após uma disputa pública entre as duas entidades que organizam os desfiles na Marquês de Sapucaí. De um lado, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, responsável pelo Grupo Especial. Do outro, a LigaRJ, que representa as escolas da Série Ouro. O impasse envolveu críticas ao modelo de credenciamento, à gestão do Sambódromo e à comunicação entre as entidades, levando a Riotur a intervir para evitar agravamento da crise às vésperas dos desfiles.
A LigaRJ divulgou nota conjunta com as 15 escolas da Série Ouro reclamando das regras atuais de credenciamento e da falta de diálogo com a Liesa. Em novo comunicado, afirmou que uma reunião marcada na sede da Riotur não ocorreu por ausência de representantes da outra liga. O tema chegou à Assembleia Legislativa do Rio, onde a Comissão de Defesa do Consumidor recebeu denúncia formal sobre a situação. Durante ensaios técnicos, dirigentes da Série Ouro também se manifestaram publicamente, com menção à possibilidade de acionar a Justiça para questionar o modelo vigente.

Diante da repercussão, a Riotur promoveu um encontro entre Gabriel David, presidente da Liesa, Hugo Júnior, presidente da LigaRJ, e Bernardo Fellows, presidente da Riotur. Após a reunião, os três posaram juntos em foto oficial e a prefeitura divulgou nota informando que os pontos levantados foram esclarecidos. As entidades se comprometeram a manter comunicação institucional contínua e a debater temas de interesse comum agora e após o carnaval. Também ficou definido que parte das credenciais da Série Ouro será válida nos dias de desfile do Grupo Especial, uma das principais reivindicações da LigaRJ.
Paralelamente, outra polêmica marcou os preparativos para o carnaval. A Liesa voltou atrás na decisão que exigia retirada de ingressos por aplicativo para acesso aos ensaios técnicos na Sapucaí. Após críticas do público nas redes sociais e relatos de falhas no sistema, a entidade adotou catracas para controle de lotação em tempo real. A entrada segue gratuita, mas o acesso poderá ser temporariamente pausado quando setores atingirem capacidade máxima. Os QR Codes emitidos anteriormente continuam válidos.
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As mudanças foram motivadas por reclamações sobre dificuldade de uso do aplicativo, instabilidade na plataforma e barreiras para o público tradicional dos ensaios. Perfis nas redes questionaram a falta de orientação e o impacto da medida sobre moradores de bairros periféricos e visitantes de outras cidades.
Com a intervenção da Riotur e o recuo na política de ingressos, a expectativa é de que o carnaval ocorra sem novos conflitos operacionais. O episódio, no entanto, expôs disputas internas na organização do maior espetáculo popular do país e reforçou o papel do poder público na mediação entre as entidades que sustentam a festa.








