A renda média real do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.613 no trimestre encerrado em dezembro de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta feira pelo IBGE, mas segue muito abaixo do valor necessário para cobrir as despesas básicas de uma família, estimado em R$ 7.106,83 pelo DIEESE. A diferença revela que, apesar da melhora do mercado de trabalho, o rendimento médio cobre apenas cerca de 23% do mínimo necessário para a manutenção da vida cotidiana.
Os dados do IBGE mostram avanço de 5% da renda média em relação ao mesmo trimestre de 2024 e crescimento acumulado de 12% em 2025, quando o rendimento era de R$ 3.440. O resultado foi impulsionado pelo aumento da população ocupada, pela maior formalização dos vínculos de trabalho e por reajustes salariais acima da inflação em parte do ano.

O cenário positivo também aparece nos indicadores de emprego. A taxa de desocupação ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Na média anual, o desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 367,6 bilhões no período, alta de 6,4% na comparação anual.
Apesar desses avanços, o cálculo do Dieese evidencia um descompasso estrutural entre renda e custo de vida. O valor do salário mínimo necessário é estimado com base na cesta básica mais cara do país, multiplicada por um fator que considera uma família de dois adultos e duas crianças, conforme previsto na Constituição. O cálculo inclui gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência social.
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O salário mínimo oficial previsto para 2026 é de R$ 1.621, valor que cobre menos de um quarto do mínimo necessário estimado pelo Dieese. A diferença entre os dois valores supera R$ 5.400, indicando que mesmo trabalhadores empregados formalmente enfrentam dificuldades para arcar com despesas essenciais.
Esse cenário ajuda a explicar por que o aumento da renda média não se traduz, necessariamente, em melhora significativa das condições econômicas das famílias. Gastos fixos como aluguel, transporte e alimentação seguem comprometendo grande parte do orçamento, sobretudo entre trabalhadores que recebem até dois salários mínimos.
Os dados reforçam que, embora o mercado de trabalho apresente sinais consistentes de recuperação, o nível de renda ainda está distante de acompanhar o custo mínimo necessário para a reprodução da vida econômica das famílias brasileiras.









