ONU classifica tráfico de africanos escravizados como ‘o crime mais grave contra a humanidade’

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Racismo é um problema econômico, diz diretor de agência antipobreza da ONU

Somente 3 países foram contra a resolução são eles: Estados Unidos, Israel e Argentina. A justificava da discordância é que a resolução pode implicar uma hierarquia entre crimes contra a humanidade

O tráfico de cerca de 12,5 milhões de africanos capturados e vendidos para serem escravizados nas Américas foi classificado pela Organização das Nações Unidas como o crime mais grave contra a humanidade. A resolução foi aprovada por 123 países, incluindo o Brasil, na quarta-feira (25), e reacende o debate internacional sobre reparações históricas.

Apenas três países votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina. Eles argumentam que o texto pode abrir margem para uma hierarquização entre crimes contra a humanidade. Outros 52 países se abstiveram, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha.

Organizações das Nações Unidas (ONU) declarou que o crime mais grave da humanidade foi tráfico de africanos para a escravização nas Américas

No documento, a ONU destaca que o tráfico transatlântico de africanos escravizados representou uma ruptura profunda na história humana, com consequências que atravessam séculos e continentes. A resolução reforça a necessidade de os Estados combaterem o racismo, a discriminação racial e as desigualdades estruturais herdadas desse período, além de incentivar políticas de preservação da memória e a inclusão do tema nos sistemas educacionais.

O texto não impõe medidas obrigatórias, mas encoraja os países a considerarem ações como pedidos formais de desculpas e iniciativas de reparação, como a devolução de itens que pertencem aos países que foram escravizados. Pela decisão, os Estados-membros também são estimulados a discutir mecanismos internacionais voltados à justiça histórica.

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que são necessárias “ações muito mais ousadas” para enfrentar essas injustiças. Segundo ele, é preciso honrar as vítimas do tráfico transatlântico não apenas com palavras, mas com medidas concretas.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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