Mulheres negras são 71% das nanoempreendoras no Brasil, revela pesquisa

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O estudo revela que 75% das nanoempreendedoras começou a empreender por necessidade, como um complemento de renda ou desemprego

71% das nanoempreendedoras no Brasil são mulheres negras, é o que revela a segunda edição da pesquisa “Nanoempreendedora em Foco: Identidade e o Paradoxo da Autonomia”, promovida pelo Instituto Consulado da Mulher em parceria com a ENGIE Brasil e Be.Labstraz.

O estudo traça dados de pequenas empresárias que gerenciam negócios com faturamento anual de até R$ 40,5 mil e revela os desafios enfrentados por elas. O primeiro deles é a realidade financeira, quase metade das empreendedoras ainda não é formalizada, principalmente por falta de recursos ou insegurança financeira, o que as deixa sem acesso a direitos básicos. Segundo a pesquisa 78% das entrevistadas faturam até R$ 3.000 por mês, mesmo 78% mantendo seus negócios há mais de 3 anos e 41,5% já ultrapassaram a marca de 6 anos desde a abertura

Pesquisa traça perfil das nanoempreendoras no Brasil, 71% delas são negras

Paradoxo da autonomia e empreender por necessidade

A pesquisa revelou que 75% das entrevistadas começou a empreender por necessidade, seja para complementar a renda em casa ou por estar desempregada. Além disso, para 49% dessas mulheres a principal renda agora vem do seu próprio negócio.

Outro ponto crucial revelado no estudo é o “paradoxo da autonomia” enfrentado por essas mulheres. 60% das nanoempreendedoras não cogitam voltar ao regime CLT pela flexibilidade que o empreendimento oferece, já que 85% têm filhos e o trabalho doméstico recai quase totalmente sobre elas.

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37% dessas empreendedoras dedicam mais de 5 horas por dia apenas ao trabalho de cuidado e 60% dedicam mais de 5 horas ao negócio, com jornadas diárias de 10 a 12 horas de trabalho ao todo, mostrando a exaustão vivida por elas, o esgotamento mental, físico e social é citado por 59%, que enfrentam problemas como ansiedade e estresse crônico, sendo que 44% começaram a ter esses sintomas após empreender.

O perfil das nanoempreendedoras

A pesquisa revela que 71% das nanoempreendedoras brasileiras são negras, 61% possui entre 30 e 49 anos. Sobre a escolaridade, 40% das entrevistadas possuem ensino superior completo ou pós graduação

E 70% atuam nas áreas de alimentação, manufatura, artesanato e costura.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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