O Ministério Público da Bahia solicitou à Justiça o arquivamento do inquérito que apurava a execução de Flávio Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, ocorrida em 2017, na região metropolitana de Salvador. A decisão ocorre anos após o assassinato da mãe dele, a líder quilombola Mãe Bernadete, morta em 2023 no mesmo território.
Binho foi morto aos 36 anos com 12 disparos enquanto estava dentro de um carro, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. O MP-BA informou que o pedido de arquivamento foi apresentado após a polícia concluir as diligências sem conseguir identificar os responsáveis pelo crime. Para o órgão, a inexistência de elementos mínimos de autoria impede o oferecimento de denúncia. A investigação estava sob responsabilidade da 7ª Promotoria de Justiça desde 2018.
Ainda em 2017, familiares reuniram registros em vídeo e imagens de um veículo que teria sido utilizado na ação criminosa, com identificação da placa, e repassaram o material à Polícia Civil. Mesmo com a entrega dessas informações, o inquérito permaneceu inconclusivo quanto à autoria.

Em julho de 2024, com a repercussão nacional provocada pelo assassinato de Mãe Bernadete, a Polícia Federal assumiu o caso e prendeu dois homens, tio e sobrinho. Após 150 dias sem apresentação de denúncia pelo MP-BA, a Justiça determinou a soltura do principal suspeito.
Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023, aos 72 anos, com 22 tiros, sendo 12 no rosto. Dois anos antes, ela havia sido incluída no programa de proteção a defensores de direitos humanos, que previa escolta e monitoramento por câmeras. No dia do crime, parte do sistema não funcionava e não havia policiamento no local.
O MP-BA apontou que a líder quilombola foi morta em razão de sua oposição à atuação do tráfico de drogas na região. Marílio dos Santos e Arielson da Conceição Santos foram indicados como suspeitos e respondem por homicídio qualificado. O julgamento, previsto inicialmente para fevereiro, foi adiado para abril.
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