A mobilização de povos indígenas da bacia do Tapajós levou ao cancelamento de uma audiência na Câmara dos Deputados que discutiria projetos de hidrovias voltados ao escoamento de commodities. A decisão foi tomada na véspera do julgamento da Ferrogrão no Supremo Tribunal Federal.
A atividade seria realizada pela Comissão de Viação e Transportes e trataria de empreendimentos nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A pauta reunia representantes do agronegócio e órgãos do governo ligados à área de infraestrutura e transporte.
A audiência havia sido proposta pelo deputado Luiz Carlos Busato. Entre os convidados estavam integrantes do Ministério dos Transportes, do Ministério de Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, além de representantes do setor produtivo.

A suspensão ocorreu após articulação de lideranças indígenas que participaram do Acampamento Terra Livre, em Brasília, e seguiram ao Congresso para pressionar pela retirada da discussão. Os povos envolvidos são os mesmos que, semanas antes, realizaram ocupação por mais de 30 dias em um terminal da Cargill, em Santarém, no Pará.
As lideranças reivindicam mudanças na forma como o tema é debatido. Entre as demandas estão a realização de audiências dentro dos territórios indígenas, maior tempo para discussão e participação mais equilibrada entre os diferentes setores.
Os indígenas também apontam ausência de representantes das bacias dos rios Madeira e Tocantins, além da falta de especialistas com posicionamento crítico sobre o modelo logístico conhecido como Arco Norte.
O cancelamento reforça a pressão política em torno de projetos de infraestrutura na região amazônica, especialmente diante da análise da Ferrogrão pelo STF.
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