Dino libera exploração mineral indígena com limite de 1% da área e consulta obrigatória

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O Supremo Tribunal Federal permitiu que comunidades do povo Cinta Larga realizem exploração mineral em seus territórios, desde que a atividade seja conduzida sob gestão indígena e cumpra exigências ambientais, sociais e legais. A decisão, em caráter cautelar, foi assinada pelo ministro Flávio Dino e também estabeleceu prazo de dois anos para o Congresso Nacional regulamentar o tema.

A medida atende mandado de injunção apresentado pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga, que alegou falta de norma específica para autorizar a exploração legal das reservas minerais existentes em terra indígena e garantir participação das comunidades nos resultados da lavra.

O povo Cinta Larga ocupa áreas entre Mato Grosso e Rondônia, somando cerca de 2,7 milhões de hectares, distribuídos nas terras Roosevelt, Parque do Aripuanã, Aripuanã e Serra Morena.

Dino permitiu que comunidades do povo Cinta Larga explorem mineral em seus territórios, desde que seja conduzida sob gestão indígena – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

Na decisão, Dino apontou omissão legislativa na regulamentação do artigo 231 da Constituição, que assegura ao povo indígena o usufruto das riquezas naturais. Ele escreveu: “Constituição Federal, omissão que já se estende por 37 anos, cabe a esta Corte suprir a lacuna legislativa, assegurando aos indígenas o direito alegado, até que a norma constitucional venha a ser regulamentada mediante processo legislativo propriamente dito”.

O ministro também afirmou que a ausência de lei favoreceu o garimpo ilegal, a presença de organizações criminosas e conflitos violentos.

A autorização é limitada. A mineração poderá ocupar até 1% da área demarcada, dependerá de consulta livre, prévia e informada às comunidades, licenciamento ambiental, estudos de impacto e planos de recuperação. Os indígenas terão participação integral nos resultados econômicos, com prioridade para proteção territorial, recuperação ambiental e projetos de saúde, educação e sustentabilidade. Órgãos federais serão responsáveis pela fiscalização.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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