Deputada que fez blackface na Alesp se declarou parda e recebeu verba pública para candidatos negros

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A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), acusada de fazer blackface, se autodeclarou como parda nas eleições de 2022, apesar de ter se declarado como branca em 2020. Na quarta-feira (18), 18 deputados estaduais protocolaram representação no Conselho de Ética da Alesp pedindo apuração por possível quebra de decoro parlamentar por ter pintado o rosto com tinta preta na tribuna.

As punições podem chegar à perda do mandato. O pedido tem como base o discurso em que a parlamentar se pintou de marrom na tribuna, prática conhecida como blackface, e fez declarações sobre identidade de gênero. Na ocasião, ela afirmou ser mulher branca e chamou o ato de “experimento social”.

O PSOL registrou notícia crime no Ministério Público Federal pedindo investigação por racismo e transfobia. A legenda afirmou que ela “usou blackface como apito de cachorro para a base de extrema-direita” e que “não é possível dissociar a prática do racismo”. Segundo apuração do G1, ela recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2022 destinado a candidaturas negras.

Deputados da esquerda protocolaram representação no Conselho de Ética da Alesp por quebra de decoro contra Fabiana por ter feito blackface – Foto: Reprodução/TV Alesp

Documentos do fundo eleitoral mostram que Fabiana, que não tem parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, consta na lista de candidaturas pardas beneficiadas com dois repasses em setembro de 2022. No portal DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral, consta que ela se autodeclarou branca na candidatura a vice-prefeita em 2020 e parda em 2022.

O advogado Alberto Rollo, que representa a deputada, afirmou que o registro é feito pelo partido e foi aprovado pela Justiça Eleitoral. Disse também que a parlamentar tem avós negros e indígenas e que “não tem nada de errado” em declarar-se parda. Ele classificou as críticas como “lacração política”.

A deputada estadual Monica Seixas protocolou no MPF pedido para cancelar a candidatura de Fabiana por fraude em cotas eleitorais. A deputada federal Érika Hilton também pediu investigação e afirmou nas redes sociais que a parlamentar “fez o que fez porque ela quis ofender”.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é um recurso público distribuído aos partidos, que devem destinar parte obrigatória a candidaturas de pessoas negras (pretas e pardas) conforme autodeclaração do candidato.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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