A corrida de rua no Brasil ganhou um novo perfil em 2025. Mulheres, jovens e pessoas da classe C passaram a liderar o crescimento da modalidade, que já reúne 15 milhões de praticantes no país. É o que revela a segunda edição da pesquisa Por Dentro do Corre, realizada pela Olympikus em parceria com a Box1824, que identificou a entrada de 2 milhões de novos corredores em apenas um ano, um crescimento de 15% em relação a 2024.
O estudo, feito com 1.179 corredores de todas as regiões do país, mostra que a presença da classe C saltou de 36% para 43% dos praticantes em um ano, reforçando a corrida como um esporte acessível, que não depende de mensalidade, equipamentos caros ou espaços fechados. Ao mesmo tempo, a idade média dos corredores caiu de 37 para 34 anos, impulsionada pelo crescimento da faixa entre 18 e 24 anos, que passou de 12% para 20% do total.

As mulheres foram as principais responsáveis por essa renovação. Entre elas, 56% começaram a correr há menos de um ano, enquanto entre os homens esse percentual é de 38%. Nos últimos seis meses, 32% das mulheres iniciaram na prática.
“A corrida no Brasil está de cara nova. Ela deixou de ser um esporte focado apenas em performance e passou a fazer parte da vida real das pessoas. Hoje, correr é sobre pertencimento e bem-estar”, afirma Márcio Callage, CMO da Olympikus.
A pesquisa mostra que a corrida se consolidou como o quarto esporte mais praticado no país, atrás apenas de caminhada, musculação e futebol. Saúde física, saúde mental e condicionamento seguem como os principais motivadores, mas a forma de correr mudou. A frequência semanal média caiu de 3,4 para 1,8 vezes, enquanto a distância média percorrida aumentou, passando de 9,2 km para 10,6 km por semana.
A rua continua sendo o principal espaço da prática, justamente por sua acessibilidade. No entanto, a insegurança urbana aparece como uma barreira relevante, especialmente para as mulheres. Segundo o estudo, 32% delas relatam que a falta de segurança dificulta a prática ao ar livre, contra 25% dos homens, o que explica a maior presença feminina em academias e ambientes fechados.
A corrida também se tornou mais coletiva. A participação em grupos e assessorias cresceu, e o número de corredores que não fazem parte dessas estruturas caiu oito pontos percentuais. Além disso, 29% dos corredores participaram de provas em 2025, contra 23% no ano anterior.
Para a Box1824, os dados mostram que a corrida deixou de ser apenas uma tendência de crescimento e passou a refletir transformações sociais. “Ela está mais diversa, mais jovem e mais democrática, mas também mais pressionada por performance e expectativas. A corrida entrou definitivamente no cotidiano do brasileiro”, afirma Luisa von Mühlen, da Box1824.
O levantamento indica que a corrida de rua no Brasil deixou de ser nicho esportivo e se consolidou como prática de bem-estar possível dentro da rotina, do orçamento e da realidade da maioria da população.









