Câncer de pele pode atingir 220 mil brasileiros em 2025; pessoas negras também correm riscos graves

verão

71% dos brasileiros não utilizam protetores solares diariamente

O câncer de pele, apesar de ser uma doença amplamente evitável, permanece como o tumor de maior incidência no Brasil e no mundo. A chegada dos meses mais quentes aumenta a preocupação dos especialistas: segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 220 mil novos casos devem ser registrados no país em 2025. Na Bahia, a previsão é de 10.520 novos casos de câncer de pele não melanoma e cerca de 250 diagnósticos de melanoma, o tipo mais agressivo.

Para o oncologista Marco Lessa, da Oncoclínicas, os números refletem a necessidade urgente de reforçar políticas de prevenção: “O câncer de pele é um tumor evitável, e isso destaca a importância de conscientizar a população sobre medidas de fotoproteção.”

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71% dos brasileiros não utilizam protetores solares diariamente

Exposição acumulada ao sol é principal fator de risco

Segundo o oncologista André Bacellar, também da Oncoclínicas, o fator de risco mais relevante é o acúmulo de exposição solar ao longo da vida: “O efeito cumulativo da exposição ao sol sem proteção, especialmente desde a infância, é determinante para o desenvolvimento do câncer de pele.”

O tumor surge a partir do crescimento descontrolado das células da pele, podendo se manifestar em forma de manchas, pintas que mudam de cor ou textura, lesões que não cicatrizam e feridas que crescem. O melanoma, embora menos comum, é o mais perigoso, mas pode atingir mais de 90% de cura quando diagnosticado precocemente.

Pessoas negras: menos incidência, mais gravidade

Apesar de pessoas negras apresentarem menor incidência da doença devido à melanina, especialistas alertam para o risco elevado do melanoma acral, subtipo agressivo que atinge solas dos pés, palmas das mãos e unhas. “Manchas escuras nessas áreas devem ser investigadas imediatamente”, destaca Bacellar.

A falta de informação e o mito de que a população negra “não pega câncer de pele” agravam o diagnóstico tardio, especialmente em regiões periféricas com menor acesso a dermatologistas.

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Trabalhadores expostos: risco 60% maior

Um relatório conjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que quase um terço das mortes por câncer de pele não melanoma ocorre entre trabalhadores que ficam expostos ao sol, como ambulantes, trabalhadores rurais, garis, pescadores e profissionais da construção civil.

A exposição ocupacional aumenta em 60% o risco da doença, reforçando a necessidade de proteção adequada fornecida pelos empregadores e políticas públicas específicas.

Como se proteger

  • Uso diário de protetor solar FPS 30 ou mais, inclusive em dias nublados;
  • Reaplicação a cada duas horas ou após suor intenso;
  • Roupas com proteção UV, chapéus, viseiras e óculos escuros;
  • Evitar sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa.

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