Argentina denunciada por racismo diz estar com medo após medidas judiciais

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Uma cidadã argentina que responde a uma investigação por injúria racial no Rio de Janeiro afirmou a um jornal de seu país que teme as consequências do caso, tanto no âmbito judicial quanto nas redes sociais. Agostina Paés aparece imitando macaco em um vídeo que circula na internet, advogada e influenciadora digital, disse que decidiu excluir seus perfis online depois de receber uma série de mensagens com insultos e ameaças vindas do Brasil.

A situação dela se agravou no sábado, 17 de fevereiro, quando a Justiça do Rio de Janeiro determinou a apreensão de seu passaporte e impôs o uso de tornozeleira eletrônica como medida cautelar. No mesmo dia, ela compareceu a uma delegacia para prestar depoimento sobre a acusação de ter proferido ofensas racistas contra um funcionário de um bar em Ipanema, bairro da zona sul carioca.

O inquérito segue em andamento pra apurar o episódio, enquanto a argentina permanece em liberdade monitorada por tornozeleira – Foto: Reprodução redes sociais

Em conversa com o veículo argentino, Agostina descreveu o impacto emocional do processo. “”Estou presa, com medo.” “No Brasil, o crime de discriminação e racismo é grave, é por isso que tudo isso acontece”, afirmou em entrevista ao Info Del Estero.

De acordo com a versão apresentada por ela ao jornal, o episódio teve início após um desacordo em relação ao valor da conta. A turista disse que, apesar da discordância, ela e seus amigos quitaram integralmente o que foi cobrado. Ainda assim, afirmou que, ao saírem do estabelecimento, teriam sido alvo de risadas e atitudes que interpretou como intimidadoras por parte dos funcionários.

“Como se insinuassem que algo ia acontecer conosco, riram enquanto nos gravavam e é aí que tive aquela reação muito ruim”, relatou Agostina ao Info Del Estero. Ela reconheceu, porém, que sua postura foi inadequada e que não deveria ter reagido daquela maneira.

A defesa da argentina informou que já contratou um advogado no Brasil, que solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança do bar para analisar o que ocorreu.

Segundo a Polícia Civil, o funcionário do estabelecimento registrou ocorrência na quarta-feira, 14 de fevereiro. No depoimento, afirmou que foi chamado de “negro” em tom pejorativo e discriminatório pela turista. Ele também declarou que a discussão começou após um questionamento sobre a cobrança e que pediu para que ela aguardasse enquanto verificava as filmagens internas.

Ainda conforme o relato policial, nesse momento Agostina passou a proferir xingamentos racistas e teria feito gestos e sons imitando um macaco, ação que foi gravada pela vítima. Após o registro do caso, agentes iniciaram buscas para localizá-la.

O inquérito segue em andamento para apurar todos os detalhes do episódio, enquanto a argentina permanece em liberdade monitorada com tornozeleira eletrônica.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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