O ano de 2025 registrou o maior número de aberturas de procedimentos criminais por racismo desde o início da coleta de dados, em 2020. Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foram contabilizadas 8.591 novas ações no período. O acumulado de processos aguardando decisão judicial no Brasil chegou a 13,6 mil.
A evolução anual demonstra crescimento contínuo: partindo de 2.978 ações em 2020, os números passaram para 5.610 (2021), 5.764 (2022), 7.973 (2023) e 8.184 (2024), antes de alcançar o pico em 2025. Em termos percentuais, o incremento foi de 188% no comparativo entre 2020 e o ano atual. Outubro de 2025 se destacou como o mês de maior movimentação, com 803 registros, o que representa uma média de uma nova ação judicial a cada hora no país.

A distribuição geográfica mostra que as Justiças estaduais são responsáveis por 97% do volume total. Em primeiro lugar no ranking de novos casos está a Bahia, unidade da federação com a maior população negra, onde foram abertos 3.680 processos. Os estados que aparecem em seguida são Minas Gerais (1.383), Santa Catarina (994), Rio de Janeiro (984) e Paraná (827). São Paulo ocupa a oitava posição, com 663 ações.
Em contraste com a demanda judicial, a representatividade de negros no sistema de Justiça permanece baixa. Dados do CNJ indicam que, do total de 18.998 magistrados, apenas 2.714 são negros, equivalente a 14,3%. Entre os servidores, o índice sobe para 27,8%, correspondendo a 78.761 profissionais negros em um quadro de 283.639. A proporção diverge significativamente dos dados demográficos oficiais: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que 55,5% dos brasileiros se declaram negros, somando pretos e pardos.
O levantamento foi realizado em primeira mão em apuração da Coluna do Estadão.
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