Bolsa paga até US$ 7 mil para negros e indígenas estudarem fora

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Foto: Pexels

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo da Bolsa Complementar Alcance, iniciativa da Fundação Lemann, com apoio do Fundo Baobá, voltada para estudantes brasileiros que se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas e estão matriculados em programas de mestrado ou doutorado em universidades no exterior. As inscrições podem ser feitas até o dia 11 de maio por meio de formulário.

A bolsa tem como objetivo apoiar esses estudantes com recursos para despesas essenciais durante o período de estudos, como transporte, alimentação, material acadêmico, equipamentos, mensalidades universitárias e outros gastos relacionados ao seu cotidiano acadêmico. A proposta é contribuir para maior segurança e estabilidade financeira durante a formação e garantir a permanência desses alunos em espaços internacionais de excelência.

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Bolsa Complementar Alcance tem o objetivo de apoiar os custos de vida, como transporte, alimentação e material acadêmico, de estudantes brasileiros pretos, pardos e indígenas em cursos de mestrado e doutorado em universidades de excelência fora do Brasil – Foto: Pexels

edital integra um conjunto de iniciativas Alcance, programa apoiado pela Fundação Lemann que busca promover equidade étnico-racial no acesso à pós-graduação internacional, com foco na valorização de trajetórias diversas e no fortalecimento de lideranças comprometidas com o avanço do país. Desde o ano passado, a oferta de bolsas complementares conta com a parceria do Fundo Baobá.

“A iniciativa busca ampliar, de forma concreta, o acesso a oportunidades educacionais e profissionais, promovendo mobilidade social e fortalecendo trajetórias de liderança com impacto. Parte do reconhecimento de que não há transformação real sem a presença ativa de pessoas negras e indígenas nos espaços de decisão não apenas como inclusão, mas como condição para ampliar olhares, transformar estruturas e qualificar os processos decisórios. É essa diversidade que permite construir respostas mais justas, complexas e conectadas com a realidade do país, contribuindo para um Brasil mais equânime”, afirma Alessandra Benedito, vice-presidente de Equidade Racial da Fundação Lemann.

Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá, complementa: “Acreditamos que o apoio a jovens negras(os/es) em pós-graduações nas áreas de STEM é estratégico e tem grande potencial transformador. Por meio desta parceria, apoiamos essas pessoas na expectativa de que, ao retornarem, tenham oportunidade de atuar em espaços estratégicos, aplicando os conhecimentos e as experiências adquiridas em um trajetória acadêmica e profissional comprometida com o combate ao racismo e com a promoção da equidade racial”.

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Requisitos para participar

Os candidatos precisam se autodeclarar como pretos, pardos ou indígenas, serem brasileiros natos ou naturalizados e estudantes de programas de mestrado e doutorado presenciais em espaços acadêmicos de excelência, como as universidades de Stanford, Oxford, Harvard, Cambridge, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e o Imperial College London. A lista completa de universidades pode ser verificada no edital.

Os cursos contemplados pelas bolsas são:

  • STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática);
  • políticas públicas/governo, educação;
  • MBAs (Master in Business Administration);
  • JDs (Juris Doctor);
  • LLMs (Latin Legum Magister).

Os interessados devem estar matriculados, com carta de aceite ou em estágio avançado do processo seletivo em programa de carga completa. Alunos em programas de intercâmbio, fellowships e doutorado-sanduíche não são elegíveis. Os critérios para selecionar os alunos são baseados em trajetória pessoal, informações socioeconômicas e motivação de participar do desenvolvimento do Brasil.

A bolsa tem o valor de USD 7.000, e é relativa a um período de 12 meses a partir de 2026, com a possibilidade de solicitar renovação em editais subsequentes. Além da bolsa, as pessoas selecionadas também terão acompanhamento psicológico e acesso a eventos de conexão, promovidos pela Fundação Lemann e pelo Fundo Baobá, e ao Brasil on Campus, comunidade de brasileiros em universidades no exterior idealizada pela Fundação.

A participação do Fundo Baobá como coinvestidor nesta iniciativa foi possível por meio de um acordo firmado com a Fundação Lemann, que, em 2019, aportou R$1,9 milhão em Fundo Patrimonial. A doação se desdobrou em um aporte de R$6,17 milhões da Fundação W.K. Kellogg no endowment do Fundo Baobá. Como contrapartida pactuada, os rendimentos gerados por esses aportes entre 2021 e 2026 (R$ 2.583.225,33) serão integralmente destinados a bolsas de pós-graduação no exterior para estudantes negros, no âmbito do Programa Alcance.

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