Trabalhador brasileiro precisa gastar quase metade do salário só com comida, aponta levantamento

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Foto: Valter Campanato / Agência Brasil / Arquivo

Trabalhar quase metade do mês só para conseguir comer. Essa é a realidade de milhões de brasileiros. Em fevereiro, quem recebe salário mínimo precisou comprometer, em média, 46,13% da renda líquida apenas com a compra da cesta básica nas 27 capitais do país, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Dieese.

O dado escancara o peso da alimentação no orçamento das famílias e mostra como o custo de vida segue pressionando principalmente quem ganha menos. O cálculo considera o salário mínimo já com o desconto da contribuição previdenciária, o que reduz ainda mais o valor disponível para outras despesas básicas.

Nas capitais, o cenário é ainda mais duro. Em São Paulo, mais da metade da renda é consumida só com comida: 56,88% do salário mínimo vai para a cesta básica. No Rio de Janeiro e em Florianópolis, os índices também estão entre os mais altos do país, refletindo o alto custo de vida nas grandes cidades.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil / Arquivo

Esse impacto não aparece apenas no bolso, mas também no tempo de vida. Em São Paulo, um trabalhador precisou dedicar 115 horas e 45 minutos do mês apenas para garantir a alimentação básica. No Rio, foram 112 horas e 14 minutos. Ou seja, quase metade do tempo de trabalho é convertido exclusivamente em comida.

Na outra ponta, Aracaju apresenta o menor comprometimento, com 37,54% da renda destinada à cesta básica e cerca de 76 horas de trabalho necessárias. Ainda assim, o número está longe de representar uma situação confortável.

Os dados também mostram o tamanho do descompasso entre salário e custo de vida no país. Segundo o Dieese, o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro, mais de quatro vezes o valor atual, fixado em R$ 1.621.

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O cálculo leva em conta despesas essenciais como alimentação, moradia, transporte, saúde e educação, e evidencia que o mínimo pago hoje não garante o básico para viver com dignidade.

Na prática, isso significa que milhões de brasileiros precisam fazer escolhas difíceis todos os meses: comer, pagar aluguel, comprar remédio ou se locomover. Quando a alimentação consome quase metade da renda, sobra pouco, ou nada, para o restante.

O levantamento reforça um cenário de desigualdade persistente, em que o acesso à alimentação adequada ainda é um desafio para grande parte da população. E mostra que, mesmo com reajustes periódicos, o salário mínimo segue distante de cumprir sua função principal: garantir condições mínimas de sobrevivência.

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