Beatriz Bueno defende Ratinho após fala transfóbica sobre Erika Hilton

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Beatriz Bueno - Foto: Blog Parditude

A produtora cultural e pesquisadora Beatriz Bueno, conhecida por criar o conceito de “parditude”, gerou repercussão ao declarar apoio ao apresentador Ratinho após falas consideradas transfóbicas contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em comentário publicado nas redes sociais, Beatriz escreveu “somos todos ratinhos”, posicionamento que provocou críticas e reacendeu debates sobre coerência política e defesa de direitos humanos.

Beatriz ficou conhecida nos últimos anos por pesquisar a experiência social de pessoas pardas no Brasil e por afirmar ter sido expulsa do programa de mestrado em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde era bolsista desde 2024. Segundo ela, sua linha de pesquisa e posicionamentos públicos sobre raça e gênero geraram conflitos no ambiente acadêmico.

A criadora da parditude também já havia se aproximado de setores da direita. Em setembro de 2025, Beatriz participou de uma audiência pública proposta pelo deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, para discutir a chamada “PEC do Fim dos Pardos”, que propõe unificar as categorias “pretos” e “pardos” sob a definição de população negra. Na ocasião, o parlamentar afirmou que a medida poderia provocar “apagamento estatístico, cultural e político da identidade parda”.

A defesa de Ratinho ocorre após o apresentador afirmar, em seu programa no SBT, que não considerava “justa” a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. “Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? […] Ela não é mulher, ela é trans”, disse.

As declarações motivaram reação institucional. O Ministério das Comunicações informou que abriu investigação sobre o SBT, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação por danos morais coletivos contra Ratinho e a emissora, pedindo indenização de R$ 10 milhões, retirada do conteúdo e retratação pública.

A postura de Beatriz Bueno também foi criticada por jornalistas e ativistas nas redes sociais. Em uma publicação, a jornalista Ana Mielke afirmou que a defesa do apresentador revela “camadas invisibilizadas” no debate público. “Sair em defesa do Ratinho, que ao longo de décadas utilizou uma concessão pública de TV para destilar ódio de classe, gênero e raça, não é algo condizente com a defesa de Direitos Humanos”, escreveu.

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Ratinho se pronunciou após a repercussão e disse que não pretende mudar sua postura. “O que mais incomoda as pessoas é a minha sinceridade”, afirmou. Ele também criticou o que chamou de “patrulhamento” e disse que continuará se expressando da mesma forma.

Em nota, o SBT declarou que as falas do apresentador não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito […] e tratará do tema internamente”, informou.

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