Conflito no Irã pode influenciar ritmo de queda da taxa de juros, diz Tesouro

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Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, o secretário do Tesouro Nacional afirmou na segunda-feira (2) que o conflito no Irã não altera, neste momento, as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros. A declaração foi feita durante evento promovido pelo jornal Valor Econômico.

Rogério Ceron explicou que o cenário externo ainda não produz efeitos diretos sobre a taxa de juros, hoje em 15% ao ano. No entanto, reconheceu que uma intensificação da crise pode interferir no cronograma de cortes, caso haja impacto relevante nos preços internos. “O que pode acontecer lá na frente é o momento de parada dos cortes acontecer antes, se o repasse a preços ficar mais intenso”, afirmou.

A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária inicie neste mês um ciclo de redução, com queda de 0,5 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano. Se confirmada, será a primeira diminuição desde março de 2024. As projeções indicam que a Selic pode encerrar o ano próxima de 12%.

Ceron declarou que o Banco Central é “muito competente” e terá condições de ajustar o ritmo do afrouxamento monetário conforme o comportamento da inflação e do ambiente internacional. A taxa básica é o principal mecanismo de controle inflacionário, influenciando crédito, consumo e atividade econômica.

Rogério Ceron explicou que o cenário externo ainda não produz efeitos diretos sobre a taxa de juros, hoje em 15% ao ano – Foto: Marcello Casal/Agência Brasil.

Sobre os efeitos da crise global, o secretário avaliou que o Brasil pode registrar ganhos com a valorização do petróleo. Ele afirmou que um barril entre US$ 75 e US$ 85 não configuraria cenário adverso, mas preços acima de US$ 100 poderiam pressionar a inflação, especialmente nos combustíveis. “Tudo mais constante, o Brasil segue ganhador em momentos como este”, disse, acrescentando que o país pode se consolidar como “porto seguro” para investidores.

No campo fiscal, o secretário defendeu debate sobre a reorganização de programas sociais diante de sobreposições e do crescimento de despesas que classificou como insustentável. Também afirmou que eventuais dificuldades do Banco de Brasília devem ser resolvidas pelo Distrito Federal e pela própria gestão da instituição.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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