O Governo da Bahia concluiu em 30 de janeiro o pagamento de uma indenização à família da ialorixá e liderança quilombola Bernadete Pacífico, assassinada em 2023 em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A reparação decorre de um acordo extrajudicial firmado entre o Estado da Bahia, a União e os familiares. Os valores envolvidos não foram divulgados por cláusula de confidencialidade.
Conhecida como Mãe Bernadete, Bernadete Pacífico foi morta em 17 de agosto de 2023 dentro do imóvel que funcionava como sede da associação de quilombolas da comunidade. Ela exercia a coordenação nacional da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Sua atuação era marcada por denúncias de violência contra comunidades quilombolas e por embates relacionados a tentativas de ocupação irregular de terras.
A trajetória de enfrentamento se intensificou após o assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, em 2017. Conhecido como Binho do Quilombo, ele era uma das principais lideranças quilombolas da Bahia. Desde então, Mãe Bernadete ampliou a mobilização contra ataques a terreiros e homicídios de lideranças religiosas de matriz africana.
As investigações indicaram que o crime teve relação com disputas territoriais e com a oposição da líder à instalação de um bar controlado por traficantes nas margens de uma represa situada em área de preservação permanente. A apuração apontou que os autores chegaram a pé à comunidade, entraram na residência e efetuaram 25 disparos. Cinco telefones celulares foram levados do local. No momento do ataque, Mãe Bernadete estava com os netos, que foram trancados em um quarto antes da execução.

A Justiça recebeu denúncias contra cinco suspeitos. Arielson da Conceição Santos, preso preventivamente, e Marílio dos Santos, foragido, serão julgados primeiro por homicídio qualificado, em júri popular marcado para 24 de fevereiro. Outros três acusados também respondem por homicídio triplamente qualificado. Mãe Bernadete integrava um programa estadual de proteção a defensores de direitos humanos, que previa medidas de segurança, sem vigilância permanente.
Em novembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que declarou de interesse social o território do Quilombo Pitanga de Palmares, em Simões Filho.
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