A rede estadual de ensino de São Paulo começou o ano letivo com milhares de professores sem carga horária atribuída, apesar do déficit histórico de profissionais nas escolas. Durante o processo oficial de distribuição de turmas, cerca de 40 mil docentes ficaram sem classes, o que impede a renovação dos contratos e, em muitos casos, suspende o pagamento.
A etapa de atribuição define escolas, horários e número de aulas de cada professor. Ao consultarem a plataforma digital da secretaria, parte dos profissionais constatou que não recebeu turmas. Entre os fatores apontados estão redução de orçamento, reorganização administrativa, fechamento de salas e critérios de avaliação de desempenho.
Professores efetivos e estáveis continuam vinculados à rede, ainda que realocados ou com carga mínima. Já os temporários da categoria O dependem de renovação anual e podem perder o vínculo quando não há aulas disponíveis.
Em reportagem do Brasil de Fato docentes relatam insegurança financeira e buscam alternativas fora da educação para complementar renda. Há casos de professores preparando currículos para outras áreas enquanto aguardam possível convocação.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informa que o número de contratos temporários superou o de efetivos a partir de 2023, indicando ampliação da contratação precária.

O deputado estadual Carlos Giannazi apontou redução de 16,5% no orçamento da educação, equivalente a R$ 11 bilhões, após mudança constitucional que diminuiu o percentual mínimo de investimento no setor.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a atribuição de aulas ocorre de forma contínua ao longo do ano e que professores não contemplados inicialmente podem ser chamados conforme a necessidade das escolas.
Uma resolução publicada neste ano também prevê encerramento de contrato e bloqueio de até três anos para temporários que permaneçam sem aulas ou tenham desempenho considerado insuficiente, o que pode dificultar o retorno desses profissionais à rede.
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