Corte no orçamento e fechamento de classes deixam 40 mil professores sem trabalho em SP

professores

Foto: Pexels

A rede estadual de ensino de São Paulo começou o ano letivo com milhares de professores sem carga horária atribuída, apesar do déficit histórico de profissionais nas escolas. Durante o processo oficial de distribuição de turmas, cerca de 40 mil docentes ficaram sem classes, o que impede a renovação dos contratos e, em muitos casos, suspende o pagamento.

A etapa de atribuição define escolas, horários e número de aulas de cada professor. Ao consultarem a plataforma digital da secretaria, parte dos profissionais constatou que não recebeu turmas. Entre os fatores apontados estão redução de orçamento, reorganização administrativa, fechamento de salas e critérios de avaliação de desempenho.

Professores efetivos e estáveis continuam vinculados à rede, ainda que realocados ou com carga mínima. Já os temporários da categoria O dependem de renovação anual e podem perder o vínculo quando não há aulas disponíveis.

Em reportagem do Brasil de Fato docentes relatam insegurança financeira e buscam alternativas fora da educação para complementar renda. Há casos de professores preparando currículos para outras áreas enquanto aguardam possível convocação.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informa que o número de contratos temporários superou o de efetivos a partir de 2023, indicando ampliação da contratação precária.

professores
A rede estadual de ensino de São Paulo começou o ano letivo com milhares de professores sem carga horária atribuída – Foto: Pexels.

O deputado estadual Carlos Giannazi apontou redução de 16,5% no orçamento da educação, equivalente a R$ 11 bilhões, após mudança constitucional que diminuiu o percentual mínimo de investimento no setor.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a atribuição de aulas ocorre de forma contínua ao longo do ano e que professores não contemplados inicialmente podem ser chamados conforme a necessidade das escolas.

Uma resolução publicada neste ano também prevê encerramento de contrato e bloqueio de até três anos para temporários que permaneçam sem aulas ou tenham desempenho considerado insuficiente, o que pode dificultar o retorno desses profissionais à rede.

Leia mais notícias por aqui: Brasil tem 1,6 milhão de casos de trabalho infantil; fiscalização não chega a 1%

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

Deixe uma resposta

scroll to top