54% dos mineiros não confiam na segurança das barragens, aponta pesquisa

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Uma pesquisa recente do instituto PoderData revela um cenário de desconfiança generalizada da população de Minas Gerais em relação à segurança das barragens de mineração. Segundo o levantamento, 54% dos mineiros afirmam não confiar na segurança de barragens, diques e reservatórios existentes no estado. O dado ganha ainda mais peso quando associado a outro resultado do estudo: 83% dos entrevistados acreditam que tragédias como as de Mariana e Brumadinho podem voltar a acontecer.

A percepção da população está diretamente ligada ao histórico recente de acidentes envolvendo barragens em Minas Gerais, estado que concentra parte significativa da atividade mineradora do país. Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, controlada pela Samarco, joint venture da Vale e da BHP, provocou a morte de 19 pessoas e despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no meio ambiente. A lama percorreu mais de 600 quilômetros pela bacia do Rio Doce, atingindo dezenas de municípios até chegar ao litoral do Espírito Santo.

Pouco mais de três anos depois, em janeiro de 2019, Minas Gerais foi novamente palco de uma tragédia. O rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, operada pela Vale, deixou 272 mortos. Diferentemente de Mariana, a lama atingiu diretamente áreas administrativas da própria mineradora e comunidades próximas, ampliando a percepção de risco iminente para trabalhadores e moradores da região.

– Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Além desses dois episódios de grande repercussão, Minas Gerais registrou outros incidentes e situações de alerta envolvendo estruturas de contenção de rejeitos nos últimos anos, como em Congonhas e Ouro Preto, reforçando o sentimento de insegurança entre os moradores. Mesmo após mudanças na legislação, criação de planos de emergência e promessas de descomissionamento de barragens a montante, a confiança da população segue abalada.

A pesquisa do PoderData também revela desconfiança em relação à postura das empresas mineradoras. De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados acreditam que a Vale tenta apenas melhorar sua imagem pública, enquanto uma parcela menor vê compromisso efetivo com a segurança das comunidades e a proteção ambiental.

Especialistas apontam que o medo persistente reflete não apenas o impacto das tragédias passadas, mas também a percepção de fragilidade na fiscalização e na responsabilização das empresas. Embora avanços tenham sido anunciados nos últimos anos, o histórico de acidentes, a lentidão na reparação integral dos danos e a permanência de estruturas consideradas de risco contribuem para a sensação de que novas tragédias não estão descartadas.

Os dados indicam que, para a população mineira, o trauma causado pelos rompimentos de barragens permanece como uma ferida aberta, influenciando diretamente a forma como o setor mineral é percebido no estado.

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