O Instituto Legado de Empreendedorismo Social divulgou uma pesquisa inédita que lança luz sobre um tema pouco discutido, mas central para a sustentabilidade dos negócios de impacto: a saúde emocional, a motivação interna e a forma como lideranças do setor tomam decisões e inovam. O estudo, chamado DNA do Empreendedorismo Social, ouviu 67 lideranças de todas as regiões do Brasil e também do exterior ao longo de quatro meses, por meio de formulários, entrevistas, grupos focais e atividades on-line.
Um dos resultados mais contundentes é o contraste entre o peso emocional do trabalho e a falta de suporte adequado. Segundo o levantamento, 78% dos participantes afirmaram não ter acompanhamento psicológico, embora relatem rotina marcada por sobrecarga, ansiedade, solidão e dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional. Apenas 22% disseram ter apoio regular de saúde mental. Ainda assim, a maioria segue motivada: 57% relataram esperança, 52% motivação e 48% gratidão como sentimentos presentes no cotidiano.

O estudo também mediu níveis de bem-estar. As lideranças atribuíram nota média de 7,2 ao próprio estado emocional, mas essa percepção cai para 6,4 quando a avaliação é sobre o ambiente de trabalho. A ausência de equipes suficientes, o acúmulo de funções e a responsabilidade de sustentar projetos sociais foram apontados como fatores que intensificam o desgaste.
A pesquisa analisou ainda a origem do propósito que move essas lideranças. Para cerca de 70%, o impulso nasce de uma ampliação de consciência sobre desigualdades e injustiças sociais. Outros 28,8% relacionaram o engajamento a experiências de dor pessoal e 25,8% a sentimentos de solidariedade. “O impacto não é sustentável se as pessoas que o promovem estão adoecendo ou se sentindo sozinhas”, afirmou James Marins, presidente do Instituto Legado e idealizador da metodologia do estudo.
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No campo da inovação, os dados indicam que ela não está, majoritariamente, em ferramentas tecnológicas. Para 62,7% dos respondentes, inovar é ampliar a forma de enxergar problemas sociais. Em relação ao tipo de atuação, 42% desenvolvem ações de atendimento direto, 33% trabalham por mudanças estruturais e 36% atuam na transformação cultural.
A partir dos resultados, o Instituto Legado anunciou a criação do Programa Legado Interior, voltado ao cuidado emocional, fortalecimento humano e bem-estar organizacional das lideranças. Segundo Diego Baptista, coordenador do projeto, a iniciativa nasce para responder a uma necessidade urgente revelada pela pesquisa: garantir que quem transforma territórios também seja cuidado.









