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Havaianas, estádio e boteco e a branquitude sorrateira

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Por Igor Rocha

Ponto 1 – Até o final dos anos 1990, se tinha um produto que era considerado “de pobre”, este eram as sandálias Havaianas. Como já ouvi várias vezes, era chinelo de pedreiro. Esse chinelo de pedreiro, atualmente, é produto de exportação, com lojas próprias e exclusivas.

Esse era o padrão do torcedor brasileiro até a década de 1990 – Foto: Geraldinos

Ponto 2 – Depois da “venda” do futebol para empresas como a Rede Globo e todas as outras que “compraram” os estádios, deram um jeito de tirar o preto e pobre das suas “arenas”. As torcidas, até o início dos anos 2000 eram de pessoas que iam para o campo torcer pelo time do coração e não para tirar selfie e postar nas redes sociais (Sim, no início dos anos 2000 não tínhamos a mesma tecnologia, foi só uma analogia). Depois da retirada da saudosa “geral” dos principais estádios, a pretaiada não voltou mais aos campos.

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Ponto 3 – Lembro muito bem como eram os botecos em BH, minha cidade e “capital bar do Brasil”. Pessoas pretas, de chinelo Havaianas, tomando Malt 90 ou Antarctica. Tempos áureos, “até a chegada do homem branco”. Festivais gastronômicos inflacionaram os quitutes e as bebidas, gourmetizaram nossos produtos, que são os mesmos o ano todo, mas entre abril e maio os preços vão nas alturas, durante o tal Comida di Boteco.

Ponto 4 – De macumba: Toda essa lereia é para lembrar que, depois da vitória da Grande Rio no carnaval carioca este ano, e todos os enredos voltados para as religiões de matrizes africanas, a busca pelos termos da macumba aumentaram significativamente. Sabem o que isso significa, não é? Entenderam onde quero chegar?

Cuidado, a branquitude é sorrateira.

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