Gladys West, a programadora de computadores que abriu as portas para uma das invenções mais usadas no mundo: o GPS

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Gladys West, em 2018 (Foto: Adrian Cadiz)

São muitas as histórias que Gladys West pode contar. A programadora nasceu no estado de Vírginia, nos EUA, em 1930, foi criada em uma fazenda, mas sabia que queria algo totalmente diferente para sua vida.

Pela dedicação com que tinha frequentemente na sala de aula, sendo uma das crianças de destaque, West ganhou uma bolsa de estudo assim que terminou o ensino médio e passou a frequentar a universidade que é considerada historicamente negra em Virginia: a State College. As dificuldades estavam apenas começando: sem dinheiro para continuar no campus da universidade, foi chamada para trabalhar meio período como babá. Uma dedicação para conciliar a companhia de colegas da faculdade com cuidar de crianças.

Gladys graduou-se em matemática e lecionou por dois anos antes de fazer o mestrado, onde se especializou em sistema de larga escala para computadores e processamento de dados com o objetivo de analisar informações coletadas por satélites. Em 1956, foi contratada pelo campo Provas Naval da Vírginia, da Marinha dos EUA, onde também conheceu o seu marido, Ira West, com quem se casou em 1957. Conquistando o seu espaço, West era a segunda mulher negra a trabalhar como programadora. O país vivia um enfrentamento contra a segregação racial e por direitos civis, e, neste cenário, West foi orientada a não participar por fazer parte do governo.

Gladys foi uma das principais colaboradoras para o desenvolvimento do GPS, que hoje facilita tanto nossa vida. Mas a sua maior conquista aconteceu em 1980, na companhia do astrofísico e pesquisador Ethan Siegel: West programou o computador que calculava o geóide da terra (a forma do planeta) com precisões suficientes para permitir a existência do GPS. West ainda escreveu um guia sobre como melhorar a precisão dos estudos com base nas informações coletadas por satélites sobre a forma e a dimensão da Terra, adiantando os avanços a serem alcançados pelas gerações futuras, para direcionar os futuros cientistas.

Gladys West permaneceu na base de Dahlgren por 42 anos e se aposentou em 1998. Alguns meses depois, ela sofreu um AVC. Uma vez recuperada, decidiu fazer um doutorado à distância. Aos 88 anos, já como renomada cientista, ela foi incluída no Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço e Mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos em reconhecimento aos resultados da sua dedicação, sendo considerada uma das 100 mulheres influenciadoras e inspiradoras da BBC em 2018.

“Senti orgulho de mim mesma como mulher, sabendo o que posso fazer. Mas, como mulher negra, isso é outro nível em que você tem que se provar para uma sociedade que não te aceita pelo que você é. O que fiz foi continuar tentando provar que era tão boa quanto você [pessoa branca]. Não há diferença no trabalho que podemos fazer”.

Gladys West
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