A decisão do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, de bloquear a promoção de quatro oficiais do Exército ao posto de general de uma estrela gerou questionamentos dentro das Forças Armadas e expôs divisões sobre critérios de ascensão na carreira militar. As informações foram publicadas pelo jornal The New York Times.
Entre os nomes retirados da lista estão dois oficiais negros e duas mulheres. A lista original incluía cerca de três dezenas de militares, em sua maioria homens brancos, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. A exclusão foi considerada incomum por integrantes da própria estrutura militar.
De acordo com relatos de autoridades atuais e ex-integrantes das Forças Armadas, Hegseth vinha pressionando, há meses, lideranças do Exército para retirar os nomes. O secretário do Exército, Daniel P. Driscoll, teria resistido às mudanças, citando o histórico profissional dos oficiais. No início deste mês, o secretário de Defesa decidiu excluir os nomes de forma unilateral.

A lista de promoções está atualmente sob análise da Casa Branca e deverá ser encaminhada ao Senado, responsável pela aprovação final. Ainda não está claro se o secretário tem autoridade legal para retirar nomes individualmente antes desse processo.
O Pentágono não comentou a exclusão dos oficiais. O porta-voz Sean Parnell afirmou que “o secretário Hegseth concede promoções a quem as merece” e classificou o processo como “sem viés político”. A Casa Branca também não comentou diretamente o caso, mas declarou que a gestão busca “restaurar a meritocracia nas Forças Armadas”.
Críticos da medida afirmam que o foco em mulheres e minorias tem gerado desconfiança sobre o sistema de promoções, que historicamente se baseia em critérios como tempo de serviço, experiência em combate e desempenho profissional. A controvérsia ocorre em meio a mudanças conduzidas por Hegseth, que tem defendido a revisão de políticas adotadas em gestões anteriores voltadas à ampliação da diversidade.
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Desde que assumiu o cargo, o secretário promoveu alterações no processo de seleção de oficiais e determinou o fim de programas voltados à igualdade de oportunidades nas promoções. Ele também afastou ou retirou da função dezenas de generais e almirantes.
Dados das Forças Armadas indicam que cerca de 43% dos 1,3 milhão de militares da ativa nos Estados Unidos são pessoas não brancas. Ainda assim, os postos de comando seguem majoritariamente ocupados por homens brancos.
O episódio ocorre em um contexto de mudanças na liderança militar e revisão de políticas internas. Especialistas apontam que intervenções diretas em listas de promoção são raras e que o processo costuma seguir critérios definidos por conselhos internos, com posterior validação política.
Autoridades ouvidas na reportagem afirmaram não se recordar de casos recentes em que um secretário de Defesa tenha tentado excluir nomes individualmente antes da análise formal da lista.









