Cria de Guadalupe, Lucas Abreu retribui aprendizado em ONGs com projetos sociais

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Passagens por renomados restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo, além de professor particular e muito engajamento em causas sociais. Quem olha a trajetória de Lucas Abreu pensa que a caminhada até o topo foi de certa foi tranquila, mas engana-se, foi repleta de muita luta e aprendizado desde cedo.

Lucas Abreu já trabalhou em restaurantes do Rio e SP – Foto: Arquivo Pessoal

Seu primeiro contato com a gastronomia veio através da Gastromotiva, ONG do Rio de Janeiro, que busca promover transformações sociais através da culinária. A partir disso, começou sua trajetória trabalhando na Tapí Tapioca e, após um período, conheceu de fato a realidade do mercado ao trabalhar em uma confeitaria, seguindo os passos de sua mãe, confeiteira de mão cheia, iniciando como ajudante. “Ela [Gastromotiva] foi um verdadeiro divisor de águas em minha atuação. Até então todo o meu contato com a cozinha era algo autodidata, aprendendo com meus familiares, e o Gastromotiva proporcionou a minha primeira formação de fato na gastronomia. Com toda a base adquirida consegui ter bagagem para iniciar minha trajetória e, por isso, busco retribuir um pouco disso através dos projetos sociais podendo gerar para outras pessoas as mesmas oportunidades que tive”, agradece.

Lucas ressalta ainda que a aptidão pela gastronomia vem de longa data, desde seu avô, passando pela sua mãe e, agora, com ele seguindo o legado familiar. “A influência começou com meu avô, por parte de pai, que era cozinheiro do exército. Minha mãe trabalhava em uma casa de família e me teve com 15 anos. Por um bom tempo foi mãe solo até conhecer meu padrasto foi quando tive convívio com esse meu avó. Como ela trabalhava muito, ficava com ele e com 5 anos já tinha esse contato com a gastronomia. Minha mãe depois de um período ela trabalhou como confeiteira e foi, nesse período, que tive mais contato com a confeitaria”, revela.

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De lá, embarcou em uma nova empreitada, desta vez, em um restaurante asiático, South Ferro, onde permaneceu quase um ano e lhe trouxe toda uma bagagem em sua história. Tudo mudou em sua vida quando recebeu um convite para integrar a confeitaria do Prana, onde todo o cardápio seria assinado por ele. Sempre em busca de novos ares, partiu em um novo desafio, ao lado da chef Manuele Lopes criando a Ciclo, empresa especializada em comfort food. Nesse período, paralelamente, a confeitaria volta a cruzar seu caminho quando começa no Mack, restaurante do Projac. Porém, a chegada da pandemia fez com que sua empresa fosse encerrada e fosse desligado de seu outro trabalho. Foi quando começou a trabalhar como chef em casa, fazendo e entregando comidas. 

Com as restrições ficando mais brandas ele conseguiu uma nova oportunidade retornando ao Rio de Janeiro, mais precisamente, Santa Tereza tendo sua primeira oportunidade como chef. Foi lá que ele criou seu prato autoral, barriga de porco com legumes confitados, farofa de pão tostado e redução de especiarias com laranja. Atualmente, reside em São Paulo atuando com projetos paralelos. “A inspiração para criar o prato veio quando trabalhei no restaurante Casa Nossa, em Santa Tereza, onde era comecei como cozinheiro e, posteriormente, virei chef. Coloquei alguns pratos no cardápio, entre eles, a barriga de porco. Usei um mix de técnicas que aprendi no restaurante asiático aprimorando com o meu conhecimento e técnica até chegar na receita”, afirma.

Projetos sociais: forma de retribuição do aprendizado 

Na primeira passagem por São Paulo, Lucas participou como chef voluntário na Ocupação Mauá, que fica no bairro da Luz, onde ministrava um curso de confeitaria profissionalizante fazendo um trabalho parecido com o que recebeu na Gastromotiva. Também participou do projeto Cozinha Fermenta, do SESC, sobre residência em cozinha preta denominado Chefes Cozinheiros Negros Influentes na Gastronomia, seus primeiros contatos ministrando aulas.  

Atualmente, está envolvido no projeto da Animateca, na Favela do Fallet, no Rio de Janeiro, encabeçado pelo Anime DICRIA, liderado por Ed Cura. A ideia é levar informações em meio de jornal com personagens de anime, porém, retratando favelas e a realidade do subúrbio carioca.  

“O projeto oferece uma conexão do jovem favelado e que gosta de anime através da união Brasil e Japão. É interessante pela estética e estrutura, porque, muitas vezes na favela não é possível ter nenhum tipo de contato com mangá, com isso, a Animateca facilita esses acessos, além de dar outras perspectivas aumentando o acesso a cultura”, finaliza Abreu.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor do Notícia Preta.

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