“Cadê esses orixás?”: padre questiona fé de Preta Gil e polícia apura intolerância religiosa

WhatsApp-Image-2025-07-30-at-16.16.00.jpeg

A missa virou caso de polícia! Durante a celebração de uma missa transmitida ao vivo no último domingo (27), declarações do padre Danilo César, responsável pela Paróquia de Areial, no estado da Paraíba, sobre a religião de Preta Gil estão sendo investigadas e o Ministério Público da Paraíba foi acionado por organizações que atuam contra intolerância religiosa.

“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, declarou o padre.

A repercussão do vídeo levou à remoção do conteúdo do canal oficial da paróquia. Já na terça-feira (29), a Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria de Souza formalizou uma denúncia contra o padre, acusando-o de intolerância religiosa. A organização considera que as declarações foram ofensivas e desrespeitosas com as tradições religiosas afro-brasileiras.

De acordo com o Popline, a Diocese de Campina Grande informou que o sacerdote, com apoio de sua assessoria jurídica, prestará esclarecimentos aos órgãos competentes. No entanto, a Paróquia de Areial ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

Além disso, outras entidades ligadas à promoção da diversidade religiosa e aos direitos humanos se manifestaram criticando o discurso do padre. A expectativa é que o Ministério Público da Paraíba também receba uma representação sobre o caso, que segue em apuração.

Padre cita a fé de Gilberto Gil e questiona por que os orixás, cultuados nas religiões afro-brasileiras, não teriam impedido a morte da filha – Foto: Reprodução.

Babalorixá explica por que familiares e amigos de Preta Gil usaram roupas brancas no velório da cantora

O uso do branco em velórios é uma tradição das religiões de matriz africana, como o candomblé, e carrega um significado espiritual profundo. Essa simbologia chamou a atenção no velório da cantora Preta Gil, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Diferente do preto, que costuma representar luto na cultura ocidental, amigos e familiares da artista escolheram vestir branco para a despedida.

Para entender o motivo, o Notícia Preta conversou com o babalorixá Márcio de Jagun, autor de oito livros sobre crenças afro-brasileiras e coordenador de Diversidade Religiosa do Rio de Janeiro. Segundo ele, a escolha está ligada a uma compreensão de vida e morte diferente da visão ocidental.

O branco, a partir da cultura Yorubá, que se reflete no candomblé de tradição Nagô, é a cor do luto. Mas, para essa cultura, o luto não é triste, não é pesaroso, não indica a finitude da vida. Pelo contrário, ele significa transição”, afirma Jagun.

Leia mais notícias por aqui: Campanha com Sydney Sweeney recebe críticas por racismo, eugenia e objetificação

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

scroll to top