Brasil registra menor índice de desemprego, mas com 39 milhões de trabalhos informais

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FOTOS DAVI PINHEIRO/GOVERNO DO CEARA;

Brasil registrou a menor a taxa de desocupação: 6,2% no trimestre encerrado em maio. O país possui apenas 6,8 milhões de trabalhadores desocupados em números exatos. O Brasil chegou a 103,9 milhões de pessoas ocupadas no mercado de trabalho, mas a taxa de informalidade foi de 37,8% da população ocupada, ou seja 39,3 milhões de trabalhadores informais. Os dados são da Pnad contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgadas nesta quinta-feira (29).

Tirando trabalhadores do setor doméstico, o número de empregados no setor privado com carteira assinada foi recorde: 39,8 milhões. O número de empregados sem carteira no setor privado foi de 13,7 milhões. Apesar da redução de 0,1% no trabalho informal de abril para maio, de 37,9% para 37,8%, o número exato de trabalhadores na informalidade cresceu.

Confira os números da pesquisa:

  • Taxa de desocupação: 6,2%
  • População desocupada: 6,8 milhões de pessoas
  • População ocupada: 103,9 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,7 milhões
  • População desalentada: 2,89 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,8 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões
  • Trabalhadores informais: 39,3 milhões

O número recorde de trabalhadores no regime formal é pra se comemorar, o problema é que o número de trabalhadores na informalidade também cresce. Fora do regime formal os trabalhadores não tem acesso e direitos garantidos pelas leis trabalhistas, o formais tem direito a:

  • Estabilidade sindical ou acidentária.
  • 13º salário;
  • FGTS;
  • INSS pago pelo empregador;
  • Seguro-desemprego;
  • Férias remuneradas com um terço do salário;
  • Licença maternidade e estabilidade pós licença maternidade;
  • Aviso prévio;
  • Jornada de trabalho regulamentada e hora extra;
  • Adicional noturno e periculosidade;
A taxa de informalidade foi de 37,8% da população ocupada, que são 39,3 milhões de trabalhadores informais – Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.

Equiparar terceirização a pejotização

O “Tema 1389” está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF). A pauta trata da possibilidade de equiparar a contratação de trabalhadores como autônomos ou pessoas jurídicas à terceirização, entendimento firmado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 324.

Princípios afirmados pelo STF na ADPF 324:

  • Liberdade contratual e organização econômica das empresas são protegidas pela Constituição.
  • A terceirização não viola os direitos fundamentais dos trabalhadores se as garantias mínimas forem respeitadas (como segurança e saúde).
  • A contratação de autônomos não configura relação de emprego desde que haja real autonomia, e não fraude.

A ADPF regulamenta que é constitucional a terceirização de qualquer atividade da empresa, inclusive a atividade-fim. Agora, no Tema 1389, o STF vai analisar se esse entendimento também se aplica quando o trabalhador é contratado como pessoa jurídica (PJ) ou autônomo em condições que possam ocultar uma relação de emprego.

O que está em jogo no Tema 1389 é uma dúvida cada vez mais comum no mundo do trabalho: se é legal contratar alguém como PJ (pessoa jurídica) mesmo quando essa pessoa trabalha como se fosse um empregado comum. Na prática, o STF vai decidir onde termina a liberdade de contratar e onde começa a fraude contra os direitos trabalhistas.

A dúvida surge porque, na lei, quem presta serviço com subordinação, rotina fixa e exclusividade geralmente deve ser contratado pela CLT. Mas muitas empresas usam o modelo de PJ para economizar com impostos e encargos, o que pode esconder um vínculo empregatício disfarçado.

O que poderia mudar?

Se o STF considerar legal a pejotização mesmo com características de vínculo empregatício, empresas poderiam, na prática, deixar de contratar pela CLT e exigir CNPJ de todos os trabalhadores. Isso significaria a perda de direitos como salário mínimo garantido, 13º, férias, FGTS, INSS e seguro-desemprego. Sem jornada regulamentada, o contrato de trabalho tradicional ficaria ameaçado, transferindo ao trabalhador todo o risco econômico e previdenciário da relação.

Riscos na aposentadoria

Devido ao elevado número de trabalhadores informais no Brasil, muitos enfrentam dificuldades para contribuir para a aposentadoria, especialmente a privada. Além disso, o país contava com cerca de 73,1 milhões de pessoas endividadas em outubro de 2024, segundo o Serasa, o que mostra certa dificuldade de dinheiro sobrando para contribuir com aposentadoria.

Uma das formas de trabalhadores informais com baixa renda conseguirem acesso a uma renda básica é por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), um benefício assistencial concedido a idosos (65+) e pessoas com deficiência, embora não seja uma aposentadoria.

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) atende atualmente mais de 6,02 milhões de idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. No entanto, com a adoção do Novo Arcabouço Fiscal, medidas de contenção foram impostas: exigência de recadastramento com biometria, ajuste no cálculo da renda familiar e restrições de deduções, previstas na Lei nº 15.077/2024. Essas mudanças endurecem os critérios de acesso e podem reduzir a cobertura do benefício.

Com isso o Brasil tem a necessidade de gerar mais empregos de carteira assinada.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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